quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Perspectiva (III)



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pensamento
e linguagem…
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A elaboração de mitos, cultos, doutrinas religiosas e conceitos filosóficos são o preço que o Homem paga para sobreviver como ser racional sem se subordinar a um puro automatismo. As explicações destinadas a fundamentar as ideias, os conceitos e os principios, não são mais que ontogenias desenvolvidas como apaziguadores da angústia inerente à vivência.

Inatalado nos seus instintos de conservação, procriação e gregarismo, pretendendo satisfazer a curiosidade sobre o que o rodeava, das árvores aos animais, dos fenómenos atmosféricos ao movimento incessante da Lua e do Sol sobre as suas cabeças, da água que brotava das rochas, que fluia nos rios e que ondeava no mar, o "raciocínio crédulo" do "sapiens" inferiu a existência de energias conscientes que tudo controlavam.
Curiosidade satisfeita, a superstição impôs-se e não tardaram a surgir os "ventríloquos" das divindades, uns auto-denominados representantes das ditas, hierofantes, pitonisos e magos, classificados como sacerdotes, cada um com o seu próprio receituário e todos impondo o culto ou a doutrina que dizem representar, obviamente (cada uma delas) a única e verdadeira !

O surgimento desses condutores do povo (em gr. "demagogos") é o reflexo de um potencial neuronal, um factor de vital importância que vai magnificar o desenvolvimento da Humanidade : a linguagem !

No humano, a linguagem é inteligência, é capacidade de abstração e de criação.

Se a consciência nos permite a auto-localização no espaço-tempo, o reconhecimento ontológico, a linguagem desenvolve em nós a potencialidade da comunicação simbólica com o exterior através da estruturação do pensamento.

"A linguagem é a casa do Ser", diz-nos Martin Heidegger (1889-1976).

Entre os mamíferos, a linguagem consiste essencialmente na manifestação de emoções, com excepção da linguagem humana que possui a capacidade de veicular símbolos, ideias e noções abstractas, capacidade com base genética, mas que resulta essencialmente da aprendizagem no meio social, da familia à escola, e daí aos núcleos societários mais diversos.

A verdadeira diferença entre a linguagem humana e a animal é a prodigiosa complexidade da primeira.
Complexidade fisiológica que permite, a partir de algumas dezenas de sons fundamentais (produzidos na laringe, um órgão constituído por cartilagens e músculos, alguns dos quais formam as cordas vocais, suspensas do osso hióide), transmitidos com o o ar expirado para a faringe e depois para a cavidade nasal e boca que (graças aos movimentos da língua, véu palatino e lábios), permite a diferenciação dos sons emitidos com uma certa frequência e intensidade, originando os fonemas.

Complexidade psicilógica que permite articular uma linguagem não somente como um processo fisico-mecânico, mas sim algo de bastante mais subtil que necessita de uma intervenção especializada do cérebro, mais concretamente de certas áreas corticais (cortex).

Robin Dunbar, antropólogo e biólogo britânico, desenvolveu o "número de Dunbar" (também conhecido como "Monkeysphere") um conceito com significado sociológico e antropológico que pretende medir os limites cognitivos do número de individuos com os quais uma pessoa pode manter um relacionamento social duradouro. Dunbar teoriza que esse limite tem relação directa com o tamanho do neocortex que limita, pela sua capacidade de processamento, o número de individuos com quem podemos manter uma relação inter-pessoal estável.
O cérebro humano não teria capacidade para manter mais de 150 conexões sociais activas em simultâneo.

Para Derek Bickerton (1926- ), professor na Universidade de Hawai, a "protolinguagem", associando vocábulos, sinais e mimicas, teria passado por fases "pidgin" (língua veicular) a partir da qual se foram construindo as linguagens actuais. Os modelos mentais teriam origem a partir de faculdades primitivas de comunicação e foram evoluindo em paralelo com essas faculdades.

A co-evolução de cérebro e linguagem é também a tese de Terence Deacon, do Departmento de Antropologia da Universidade da Califórnia (Berkeley), segundo a qual a estrutura da linguagem se teria desenvolvido ao longo de um longo processo durante o qual o cérebro e diferentes aspectos da linguagem exerceram "pressões de selecção" uns sobre os outros.
As primeiras formas de pensamento simbólico terão originado um "meio cultural" ao qual o cérebro teve que adaptar-se. E vice-versa !
Terence Deacon sublinha a particularidade do "Homo sapiens" como "espécie simbólica", na acepção de "símbolo" (do gr. "sýmbolon", sinal de reconhecimento) como relação genérica de sentido intencional, ou seja, construida desde um modelo mental da realidade.


continua

2 comentários:

Anónimo disse...

http://pt.altermedia.info/geral/violencia-contra-os-nacionalistas_462.html

Após as recentes ameaças contra Alain Soral, presidente de Unidade & Reconciliação e activista da Frente Nacional francesa, por parte dos identitários franceses, eis um pouco do historial de violência desse movimento.

A agressão como único argumento

Durante muitos anos os nacionalistas da França e da Valónia tiveram de se resguardar dos comandos de excitados marxistas ou sionistas. Organizar uma manifestação, ter uma reunião, fazer uma distribuição de panfletos, não era geralmente uma coisa cómoda, era necessário prever sempre a eventualidade duma agressão por parte de elementos violentos que beneficiavam da vantagem numérica.

Tendo os movimentos de extrema-esquerda conhecido um sério recuo e estando os sionistas menos virulentos, os militantes nacionalistas poderiam esperar levar adiante o seu combate em melhores condições de segurança. Ora não foi o que aconteceu, desde há três anos, um número não negligenciável de quadros do movimento nacional foram vítimas de agressões selectivas, enquanto outros foram ameaçados. O último caso conhecido nesta data (8 de Setembro, 2005) é o do co-responsável técnico da página de Internet de contra desinformação Altermedia que foi atacado no seu domicílio, no final do mês de Agosto, por bandidos com pretensões políticas que o nosso camarada, ainda que ferido, conseguiu por em fuga.

Estas violências repetidas não tinham sido até agora muito mediatizadas pela simples razão de que poderiam prejudicar o movimento nacional uma vez que as vítimas são nacionalistas e os agressores também o são (ou pelo menos pretendem sê-lo). Os agredidos e as testemunhas das violências preferiram até agora não tornar estes factos públicos a fim de não manchar a imagem da nossa corrente política. Mas a persistência das ameaças e das agressões – que se traduz pela utilização de armas brancas e de golpes tais que já foi necessária uma hospitalização – já não permite tergiversar.

Cronologia dos factos

2003

Mal tinha sido criado uma nova página solidarista quando o seu webmaster foi ameaçada de violência por correio electrónico e por mensagens telefónicas. O autor destas é um dos principais quadros dos Identitários.

Em Nancy, o responsável local das Juventudes Identitárias abandona-as em desacordo com a sua linha política. É imediatamente ameaçado por telefone pelo responsável nacional desta organização. Pouco tempo depois, o átrio do seu imóvel é coberto de inscrições denunciando-o nominalmente como “nazi”, inscrições similares são feitas no seu bairro.

Em Toulouse, o antigo secretário-geral do movimento Unité Radicale é agredido por dois militantes das Juventudes Identitárias à saída duma reunião pública.

Em Paris, aquando das Jornada da Identidade, Eddy M., ex conselheiro regional da FN e do MNR e ex membro da direcção de Unité Radicale é chamado à parte e atacado por um dirigente nacional das Juventudes Identitárias.

2004

Em Paris, aquando do colóquio do GRECE, um comando de militantes das Juventudes Identitárias ataca o stand duma editora livreira e agridem fisicamente os seus responsáveis.

Em Dezembro, uma manobra conjunta é organizada para travar a página da Altermedia. Um dos responsáveis técnicos que não se deixou intimidar é ameaçado, bem como a sua família, por correio electrónico e mensagens telefónicas. O autor destas ameaças é, aqui também, um dos principais quadros dos Identitários.

2005

Em Nice, numa reunião organizada para apresentar a página Altermedia e o seu trabalho é atacada por um comando de militantes das Juventudes Identitárias conduzido pelo seu principal dirigente. O orador é atacado a golpes de matraca e ferido no rosto por uma arma branca.

No mesmo dia, o organizador da reunião é vítima duma emboscada na livraria nacionalista da cidade e violentamente atacado, tendo sido hospitalizado com um traumatismo craniano. O autor destas agressões é, ainda aqui e sempre, um dos principais quadros dos Identitários.

No final de Junho, dois militantes das Juventudes Identitárias de Toulouse, que manifestaram dúvidas acerca da linha política da sua organização são espancados aquando duma reunião privada da organização.

Nos finais de Agosto o co-responsável técnico da agência Altermedia é agredido no seu domicílio. Um dos agressores é o animador principal da revista “Identitaire” e outro é um dirigente dos Identitários Valónia-Bruxelas.

A tudo isto, é necessário adicionar as constantes pressões sobre os meios de informação e as livrarias do movimento para que se abstenham de promover as obras ou os autores que não lhes agradam, bem como as difamações sistemáticas das iniciativas de imprensa que são um sucesso (como foi recentemente vítima um trimestral metapolítico sobre “o verdadeiro fórum”).

Porquê? A proveito de quem?

Primeira hipótese: trata-se de psicopatas megalómanos que, incapazes de se imporem pelas suas qualidades intelectuais, políticas ou militantes, decidiram criar o seu próprio espaço na cena nacional eliminando os seus concorrentes pela eliminação?

A utilização de tais métodos para um resultado nulo em termos de benefício social e financeiro explica-se mal num meio político já de si tão pouco representado.

Segunda hipótese: O sistema tem necessidade de provocadores para montar as suas manipulações anti-nacionalistas. E isto, tanto mais que uma estranha impunidade parece proteger os Identitários: as queixas feitas não têm qualquer efeito, a acção judicial por reconstituição de organização dissolvida é enterrada (burocraticamente) etc.

Se esta última hipótese se revelasse exacta, ela explicaria porque é que os quadros e os responsáveis que mais se opõem a toda a provocação no seio do movimento nacionalista, são visados sistematicamente. Ela explicaria também porque é que encontramos os agressores tão amplamente empenhados em diversas operações anti-Frente Nacional (candidaturas parasitas, apoio a iniciativas cisionistas, promoção no seio da cena nacional de de Villiers e do MPF [aliados do grupo ID do parlamento europeu, representado em Portugal pelo PND – nde], etc).

É necessário, desde logo, concluir que os dirigentes dos Identitários são por um lado pagos e pelo outro manipulados.

Para consulta do original: http://fr.altermedia.info/general/violence-contre-les-nationalistes_7684.html

António Lugano disse...

Grato pela informação, mas como não tem relação directa com o artigo publicado, teria preferido que a comunicação me fosse transmitida através do "e:mail" indicado neste "blogue":
prometheus@dublin.com
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A minha solidariedade contra a violência.