sexta-feira, 20 de abril de 2007

Ser Nacionalista





raciocínio critico
vs
raciocínio crédulo


A perspectiva religiosa de uma qualquer cultura é um dos aspectos mais determinantes dessa mesma cultura, ao mesmo nível da imagem que cada um se constrói da História que nos dizem ser o refexo de acontecimentos vividos pelos nossos antepassados, pelas gerações que mais recentemente nos antecederam e, até, por nós mesmos.
Debater temas que irrompem "a intangibilidade das doutrinas religiosas" ou versam sobre "acontecimentos históricos duvidosos", é abrir o alçapão dos dogmas, enfrentar-se às acusações de heresia e às desqualificações dos construtores da História "oficial".

No entanto, coerente com o principio de que "sem movimento não existe mudança", considero ser fundamental calcorrear metafóricamente o complexo percurso que nos permita compreender os processos de razoamento que utiliza o "Homo sapiens" para, desde as suas mais profundas convicções, afirmar com o mesmo entusiasmo, ou a certeza do reino dos deuses, ou a convicção da república dos humanos.
Na defesa das suas conclusões, os primeiros designam os segundos por irracionais, denominação que os segundos devolvem aos primeiros com o mesmo acutilante desprezo. E, certos da sua verdade, uns interrogam-se metafísicamente sobre o sexo dos anjos, enquanto os outros induzem sobre quem nasceu primeiro, se o ovo ou se a galinha !

Entre o racionalismo do "Aufklärung" e o romantismo do "Sturm und Drang", lançamos âncora perante a fórmula kantiana do "Sapere Aude". Decididamente, "ousaremos saber" !
E a ousadia leva-nos a enfrentar "gregos e troianos", "montéquios e capuletos" e afirmar que, agrade ou não ao já citado "sapiens", todo e qualquer processo mental é racional, ou seja, é realizado através de um processo de razoamento.
Que esse processo siga encaminhamentos diversos, entre o criticismo e a credulidade, ou que seja afectado por alguma patología psíquica, não elimina o facto de que o cérebro humano processa saberes e conhecimentos no contexto de uma capacidade genética e de um meio social.
Assim que, o cérebro humano, dentro dos limites que antes referimos, processa "sempre" de forma racional, sendo a "irracionalidade do ser-humano" um atributo somente utilizado em foro discursivo como desqualificação.
Aplicadas ao Homem, "irracionalidade" e "inconsciência" são noções vazias de conteúdo ciêntifico !
Por outro lado, o que caracteriza o processamento racional é, entre os dois "formatos" consagrados (criticismo e credulidade), a miríade de encaminhamentos, diversificados por razões endógenas ou exógenas, uns mais próximos da aceitação crédula e outros da dúvida metódica.

Não confundamos, porém, "criticismo" com "cepticismo", a "mente critica" (do gr. "kritikós", "que discerne") não aceita uma asserção sem se interrogar sobre o "valor racional" da mesma, nem se interrompe pretendendo ter chegado a uma "verdade absoluta", enquanto a "mente céptica" visa a "ataraxia", a tranquilidade para Demócrito, ou a felicidade ("hêdonê) para estóicos, epicuristas e cépticos.
Salvaguardamos, e revindicamos, o "cepticismo" que referia Diogenes Laercio (séc. III EP) e que colocava a sua origem no pensamento dos "sete sábios", de que encontramos exemplo na famosa locução de Khilon de Lacedemónia (Esparta) :
"Conhece-te a ti mesmo" ("Gnothi Seauton").

Digamos que (sem nos adentrarmos na "Teoria do Conhecimento" de Kant) o "criticismo" permite ultrapassar a oposição "empirismo/racionalismo", postulando que se o "ser-humano" não pode conhecer a verdade das coisas "em si" ("númeno"), pode conhecer a verdade do que elas são "por si" ("fenómeno").
O "criticismo" (despido da metafísica kantiana) exige de nós, analise, dúvida, apreciação, discernimento, valoração, julgamento e reflexão, afirmando-se (sem se confundir com o "zetetismo") como uma "arte da dúvida" !

Sendo a curiosidade e a dúvida duas consequências da racionalidade humana, são também causas de processos de razoamento profundamente diversos.
Com efeito, sendo ambas "algo de insuportável" para a mente humana, que procurará satisfazer a ânsia de resposta por todos os meios de que dispõe, na realidade "curiosidade" e "dúvida" são basicamente diferentes na forma de estruturar a questão.

A curiosidade manifesta-se perante um desconhecimento e procura uma satisfação imediata, recorrendo a esquemas culturais simples ; é habitual o recurso à opinião de individuos ou meios que se reputam credíveis.
A dúvida é uma fase mais evoluida da curiosidade, pois exige uma formulação que recorre a esquemas culturais complexos ; não se conforma com a opinião ("doxa") exigindo uma argumentação que pareça razoável num contexto de conhecimentos adquiridos.

Se a curiosidade, habitualmente, se esclarece no meio social envolvente, ficando a informação limitada às "verdades" difundidas pelo sistema politico-religioso vigente, a dúvida obriga à procura de uma solução satisfatória.

Tenhamos presente que o processo de satisfação da curiosidade, quaisquer que sejam os saberes técnicos do individuo, resulta de uma determinação fundamentada "no menor esforço" e "na certeza" de obter a "boa resposta" !
Independentemente da validez da resposta obtida, insere-se num processo de raciocinio crédulo, capaz de se satisfazer com respostas que somente transferem o desconhecimento para outra área, ou para o âmbito de "certezas" previamente aceites.

A satisfação da curiosidade insere-se pois, num proceso de raciocinio que denomino "crédulo", porque se fundamenta numa questão formulada de maneira "incipiente", que se satisfaz com uma resposta de circunstância, enquanto a dúvida, pela forma complexa em que se estrutura e pela exigência de uma resposta não baseada em alegorias ou transcendências, insere-se num proceso de raciocinio que denomino "critico".

No "ser-humano", as caracteristicas congénitas e o meio social são os determinantes do desenvolvimento de processos de razoamento "crédulos" e/ou "criticos", coexistindo os dois e, circunstancialmente, impondo-se um a outro.
Porém, a partir de determinado momento (variável pela idade e pelo "tipo" de vivência) cada indivíduo adquire uma "tendência racional" ("crédula" ou "critica") que se manifestará na sua vivência cultural (social, politica ou religiosa).

Nos processamentos fundamentados em "verdades não discutíveis" (dogmas), como as questões de fé, o encaminhamento seguido pela mente segue um esquema mais próximo da credulidade (aceitar sem contraste) que do criticismo (aquilatar solução).
Mas, o razoamento crédulo não está somente presente no âmbito das doutrinas religiosas, do divinamente transcendente, e dele temos reflexo em comportamentos aparentemente mais anódinos, em situações quotidianas de diálogo informal ou na interpretação de noticias divulgadas pelos meios de informação do "sistema politico".

Na análise de casos de manipulação psicológica é considerado paradigmático o sucedido em 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos, mais precisamente a explosão verificada no edificio do Pentágono.
As fotografias do local, à chegada dos socorros, mostram uma fachada do edificio em fogo, que se desmorona passados cerca de 30 minutos e, no relvado em frente, nada mais se vê que os veículos dos bombeiros !
Pois bem, a versão official diz que nesse local um avião Boeing 767 chocou com o edificio, penetrando nele e provocando uma terrivel explosão.
Um processo de raciocinio crédulo aceita a explicação e não formula qualquer dúvida, exceptuando (talvez) a curiosidade mórbida de saber se houve vitimas !
Um raciocinio critico interrogar-se-ia perante a dúvida de como e por onde teria passado o avião se depois do choque a fachada estava ainda no seu lugar ?
Recordemos que um Boeing 767 tem 61.40 m de comprimento, 51.90 m de largura de asas, 16,90 m de altura e um peso, em vazio, de 100 toneladas.

Obviamente que estamos perante uma mentira, mas o processamento do tipo "raciocinio crédulo" presente nos hábitos do meio familiar, na escola (cada vez mais orientada à memorização), no condicionamento dos meios de comunicação, difícilmente poderá por em causa o condicionamento e concluir outra coisa além de que "o avião estava lá" !
Observa-se o mesmo fenómeno em concentrações misticas quando o "guru" diz estar a ver o Sol aos quadradinhos ou os cavaleiros do Apocalipse, pois a sugestão vivida influi no processo de raciocinio e o crente "também vê" !

A manipulação pelo medo, hoje colocada em voga pelo "sistema politico mundial" ("Nova Ordem Mundial"), tem evidentes efeitos de adormecimento, de receio interiorizado, que torna as pessoas, involuntariamente, muito menos disponíveis para actos de protesto social, e até de desenvolvimento de processos criticos.
Etienne de La Boëtie denominava a circunstância como "servidão voluntária" !
Cada um aceita a sua dependência como um "fatum", como um determinismo "religioso".
O raciocinio crédulo é de tal forma condicionante que, no campo politico, compartimenta a busca por soluções alternativas, enclausura os grupos de discussão em sistemas de seitas, cada uma com a sua verdade eterna e absoluta, enquanto o "sistema politico", consciente da situação (que ele mesmo alimenta) vai usufruindo de uma realidade que lhe é favorável.

Não nos devemos surpreender, quando encontramos homens e mulheres plenos de saberes, licenciaturas, doutoramentos e outros "honoris causa" desenvolverem raciocinios que surpreendem pela sua "barroca" (para não dizer "bacoca") simplicidade ! Defensores de "verdades indiscutíveis", altivos propaladores "ex-catedra", eméritos trianguladores de circulos… mas, vazios, ocos de qualquer capacidade critica.
Um dos graves problemas do ensino de hoje é confundir poder de memorização com inteligência, e consequentemente despeitar a análise critica em prol da aceitação bovina.

Uma das bases para a estruturação do "homem nacionalista", é ensina-lo a raciocinar de forma critica, a saber ler um texto ou interpretar uma imagem, no contexto de uma ética e de uma estética suficientemente consolidadas num "corpus cultural" que é muito mais do que uma moda, uma teoria politica ou um passatempo !

"Revoltar-se contre a influência da sociedade exige uma revolta, pelo menos em parte, contra si mesmo ; nisso consiste o momento mais dificil da liberdade".
Eduardo Colombo in "O Estado como paradigma de poder".

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Regionalização


A Nação como fundamento

Um novo "blog"

"Gallaecia"
http://gallaeciaeuropa.blogspot.com

Regionalização como expressão étnica e cultural de Nações submergidas pelo conceito de País.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Cultura é Poder !





A ética da estética



Marcus Vitruvius Pollio, nascido no século I da Era Precedente (EP) ficou conhecido pelo seu tratado "De architectura", obra única destas características que se conserva da Antiguidade clássica.

No "Livro primeiro, capítulo terceiro" dessa obra, Vitruvio escreveu :
"Partes ipsius architecturae sunt tres, aedificatio, gnomonice, machinatio"
e segue :
… as construções ("aedificatio") devem conseguir segurança, utilidade e beleza.

1. Consegue-se segurança com alicerces sólidos e com uma cuidadosa selecção de materiais de construção..
2. A utilidade consegue-se através da correcta disposição das partes do edificio (…)
3. Obteremos beleza quando o seu aspecto seja agradável e esmerado, quando uma adequada proporção das suas partes plasme a teoria da simetria.

O termo simetria provém do grego "sun", com, e "metron", medida, significando "respeito pelas medidas" e implicando a ideia de harmonia.
Thales de Mileto é o primeiro a estabelecer teoremas fundamentados no principio intuitivo da simetria e Euclides estudará (livro XIII) os cinco poliedros convexos com os que Platão imagina a harmonia do Universo.
Escultores e arquitectos gregos e romanos, como Vitruvius, vêm na simetria (symmetria) o equilibrio e a harmonia, assim como a solidez e a força, imanentes no corpo humano.
No Renascimento, Leonardo da Vinci inspira-se nos conceitos greco-romanos.

A simetria é pois um factor de harmonia nas formas ; porém, sendo um factor necessário não é suficiente para determinar um sentimento estético de percepção do que consideramos "belo".
Necessário, porque a harmonia é psicologicamente tranquilizante, mas insuficiente porque não comporta emoções estéticas capazes de determinar um julgamento.

A estética (do grego "aisthèsis", sensação) é uma teoria normativa fundamentada em valores humanos (o verdadeiro, o bom, o belo…) e portanto não exclusivamente dependente de factores técnicos, antes julgando "desde dentro", pressionada pelo "cânone" que enuncia as normas gerais impostas pela sociedade.

Essas normas modificam-se através do tempo, por razões técnicas, pela moda imposta por parâmetros societários e pelos meios de manipulação utilizados pelas oligarquias políticas.
O "politicamente correcto" ("marxismo cultural"), ideologia do actual Sistema Politico Global, dito democrático, através do ensino e dos meios de informação ("propaganda") divulga o que deve ser "o verdadeiro, o bom e o belo", independentemente dos valores culturais de cada povo.

A manipulação denomina como "modernidades" os maiores atentados à estética e ao bom senso, e lá temos os "cidadãos normalizados" a bater palmas e a agitar as bandeirinhas de apoio a uma "qualquer coisa". Pois, se foi isso que lhe disseram na escola e lhe repetem na televisão, na rádio e nas publicações… porquê reflectir se "outros" já pensaram por eles ?

Ser nacionalista não consiste somente em afirmar-se como tal, mas em ser coerente com um comportamento, uma ética e uma estética que não seja destruidora da nossa própria cultura, por colagem às modas e aos propósitos alógenos do "politicamente correcto".

sábado, 31 de março de 2007

O "Grande Irmão" controla !

imigração = invasão


* com a devida vénia
resumimos o comentário publicado por Rodrigo
http://ofogodavontade.wordpress.com

Ocupação

Nos últimos 25 anos o crescimento do número de imigrantes em Portugal tem sido acentuado e as estimativas oficiais apontam para cerca de 500 000 actualmente, sem contar com os ilegais.

Para se ter uma ideia da evolução destas tendências demográficas no país note-se que entre 1985 e 2005, em 20 anos, portanto, o número de residentes estrangeiros aumentou 247%…

Mas apesar de ser um dado assustador a situação é, na realidade, ainda mais gravosa, já que a população portuguesa apresenta taxas de natalidade muito baixas e as populações que chegam apresentam taxas mais elevadas, sobretudo as africanas, o que induz, para lá das migrações, uma aceleração do processo de metamorfose populacional em curso.
(…)
E neste contexto como é que reagiram o Governo e os partidos políticos portugueses?
Simplesmente aprovaram uma alteração à lei da nacionalidade que facilitou a sua aquisição por parte dos imigrantes e criaram uma nova lei da imigração que facilita a entrada no país a estrangeiros.
Isto é, quando a dimensão do problema atinge níveis assombrosos e ainda se espera um aumento sem precedentes, a resposta dos dirigentes políticos nacionais foi a liberalização da lei de imigração acompanhada de um reforço do direito de solo sobre o direito de sangue na lei da nacionalidade.
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Servos ?

Sejamos conscientes de que um cripto-poder, controlador dos mais poderosos meios financeiros mundiais, decidiu converter o planeta numa propriedade privada e os seus habitantes em servos.
Não em escravos, porque o escravo está descontente com a sua função de escravo !
Mas, em servo, em servo voluntário, como bem descreveu em "Discours de la servitude volontaire", Etienne de La Boëtie (1530 - 1563), um estimado amigo de Montaigne.

Com efeito, temos tendência a pensar que a servidão é uma situação forçada, uma imposição violenta.
De La Boëtie no seu "Discours" coloca a pergunta : "porquê obedecemos ?".
Obedecemos porque atribuimos ao poder uma legitimidade que ele não tem…
Os políticos são funcionários de um Estado que é mandatado pelo povo. Se têm poder é porque o povo lho confere !
É suficiente deixar-mos de querer ser servos, para sermos livres !

E como individuos livres devemos ser conscientes que os politicos, pretensamente representativos, funcionam em circuito fechado "fabricando leis" que lhes permitem manter o poder e com ele servir quem a ele lhes deu acesso.

A oligarquia, como borboleta da noite, segue as normas de autodestruição ditadas pelo "cripto-poder", sem se aperceber que, como parasita que é, desaparecerá em simultâneo com o corpo parasitado.

Caminhamos, como "lemmings", para o precipício a que nos conduz a política suicidária dos funcionários políticos a quem atribuimos poderes.
Que futuro pretendemos para as gerações futuras ?

A deficiente educação, a promoção de vicios, a miscigenação que nos impõem, tudo é coincidente. Querem transformar-nos em idiotas consumidores, em objectos de gozo, em formigas construtoras, para desfrute dos "senhores do mundo" !

Vamos permitir que isso suceda ?

António Lugano

quarta-feira, 21 de março de 2007

Nacionalismo





Conceito,
Teoria,
Organização !


Entendemos o Nacionalismo, não como uma prática política mais, mas como uma forma de estar na vida, um estado de vivência…
Neste contexto, consideramos ser fundamental a clarificação de certos conceitos divulgados por teorias e doutrinas que, pelo mimetismo imposto pela moda e, menos eufemisticamente, pela ignorância, assumem significados que não o são.
O Nacionalismo é, em si mesmo, um conceito com nome próprio que não suporta adjectivações !
Referir um nacionalismo adjectivado (e.g. "nacionalismo revolucionário" ou "nacionalismo liberal") é pretender reduzir um conceito abrangente, incluente de toda uma "nação", a uma mera teorização política a que (quantas vezes…) nem falta a abstrusa designação de esquerda ou direita.
"A fortiori", o termo "nacionalismo" poderá ser identificado pelo nome da Nação a que se refere (e.g. "nacionalismo galego").

Por muito que estremeça o ideário histórico incutido nas populações europeias desde a normalização carolingia, na Europa de hoje um "país" não corresponde necessariamente a uma "nação", pelo contrário, a maioria dos países europeus constituiram-se por amálgama de territórios conquistados, subordinados a um Estado centralizador que se impôs, unificando nações diferenciadas.

1. Filosofia e Conhecimento

Talvez os antigos gregos tivessem razão quando afirmavam que existia uma erudição própria escondida em cada palavra.

Se prestarmos atenção ao vocábulo "filósofo" ("philosophos" em grego), um termo que surge, segundo Ponticus Heraclides (séc. IVº EP), quando Pitágoras recusa a denominação de "sophos" ("sábio") que lhe é atribuida pelo rei de Phlionte (cidade do Peloponeso) e retorquiu afirmando que mais não se considera além de "philo sophos" ("amigo da sabedoria").
Do adjectivo "filósofo", forma-se o substantivo "filosofia" ("philo + sophia"), "amizade pela sabedoria", que reflecte um encaminhamento em direcção à "sabedoria" e se opõe à noção de "possuidor de sabedoria" ("sophos").
A erudição do termo é bem patente no seu significado de "busca" da sabedoria, e de "recusa" (por impossibilidade) de a possuir !

Mas, invariavelmente, o valor erudito das palavras é fagocitado pelo utilitarismo com que se pretende aplica-las, e os vocábulos "filosofia" e "filósofo" sofreram o "habitual" tratamento de aculturação predominante.
No presente, particulariza-se como "filosofia de …" qualquer actuação teorizante nos mais diversos campos específicos, da gramática à política como da arte à lógica. Amarfanha-se, amalgama-se, oprime-se o sentido de "filosofia" com o significado de disciplinas outrora pertencentes ao "corpus philosophicus", mas que se disjuntaram constituindo áreas de estudo especifico.

Com efeito, o "pensamento" grego via na filosofia a "sabedoria", a totalidade do saber da época e um conhecimento aspirando ao universal !
Posteriormente, o "saber" foi-se compartimentando em "saberes" (ciências) enquanto o conhecimento se afirmava como compreensão dos limites e das condições da existência.
Compete pois ao ciêntifico o "saber" que permite o controlo da Natureza, e ao filósofo o "conhecimento" de uma vida acorde com a Natureza !

Se nos restringirmos ao espaço político, referir "filosofia do fascismo", "filosofia do marxismo", "filosofia do liberalismo", etc, não é culturalmente aceitável, pois que fascismo, marxismo, liberalismo, etc, são teorizações de um mesmo conceito filosófico que é a "Política", um conceito que provém de "Politeia" (da raiz grega "pólis", cidade ; em latim "civitas").
A origem do erro reside na assimilação habitual de "política" à "gestão da pólis", confundindo-se o conceito filosófico de "política" com as teorizações que propõem "gestões políticas" diversas.

Para bem compreendermos os âmbitos de acção do "conceptual filosófico" e da "teorização política", devemos ter presente as três realidades sobrepostas que a noção de "polis" engloba :
- um factor social, entendido como uma comunidade autónoma, habitualmente constituida por sinoecismo (1), fortemente estruturada, étnica e culturalmente coesa.
- um espaço, que conecta o "habitat" a um território e ao seu ecosistema.
- um Estado, dotado de poderes de regulação sobre o "espaço" e o "factor social".

Assim que, se o "factor social" e o "espaço" determinam a "Nação" (conceito filosófico), as regras de Estado são do âmbito da teorização política, embora com uma excepção qualitativa relacionada com o substracto cultural das comunidades que constituem o "factor social" da "Nação".
E esse substracto cultural constitui o que os gregos denominavam "agraphoi nomoi", comummente entendido como "leis não escritas" (costumes e tradições).
O que valoriza, na tradição ética grega, os "agraphoi nomoi", não é somente o facto de evitarem a imperfeição técnica das leis escritas ("nomoi"), mas a sua relatividade cultural (2).

Na Esparta e na Atenas clássicas, muito diferentes na teorização política, o mais importante era o conceito filosófico de comunidade de homens livres (noção espartana de "homoioi") que o grego orgulhosamente proclamava.

"Cada um, então, de acordo com sua vontade, pode fulgir... ou calar-se. Pode imaginar-se mais bela igualdade ?"
(palavras deTeseu ao arauto in "Suplicantes" de Eurípides - vv. 426-441)

Se Atenas adopta uma "politeia" teorizada na participação activa dos membros da comunidade ("politai") nos trabalhos do "Boule" (Conselho), do "Helieia" (Tribunal) e da "Ekklesía" (Assembleia), para Esparta a organização da vivência em comunidade dependia substancialmente dos costumes e do definido por alguns poucos princípios reguladores, os famosos ordenamentos ("rethra"), atribuídos a Licurgo (séc. IX ou VIII EP).

Lucius Furius Philus, no diálogo "De Res Publica", escrito por Cicero, defende (Livro III - VIII a XI) a tese de que justiça é coisa social, e não natural, que como tal varia conforme o povo e varia num mesmo povo através do tempo. É o interesse que comanda os homens.
A essa posição, Cícero opõe, por intermédio de Lelius, a lei ética, o conceito filosófico que deve ser o fundamento do Estado :
"Existe uma lei verdadeira, é a recta razão, conforme com a natureza espalhada em todos os seres, sempre de acordo consigo própria, não sujeita a perecer, que nos chama imperiosamente a preencher a nossa função, nos interdiz a fraude e dela nos afasta. Jamais o homem honesto é surdo às suas ordens e proibições; estas não têm acção sobre o perverso.
Nesta lei, nenhuma emenda é permitida, não é lícito revogá-la totalmente ou em parte. Nem o Senado, nem o povo podem dispensar-nos de a ela obedecer (…). Esta lei não é uma em Atenas, outra em Roma, uma hoje, outra amanhã, é uma única e mesma lei que rege todas as nações em todos os tempos (…) quem não obedece a esta lei ignora-se a si mesmo, e, porque ignorou a natureza humana, sofrerá por isso mesmo o maior castigo …"
(Marcus Tullius Cicero (106-43 EP) in "De Res Publica", Livro III, XXII).

No plano doutrinário a filosofia posiciona-se entre o escrito e o não escrito, entre a lei e o costume, consciente de que, pela biologia intrínseca do cérebro humano, uma "hierarquia de domínio" vai estabelecer-se entre os individuos que constituem o "factor social" que constitui a "polis", e que compete à teorização política fundamentar a organização dessa "hierarquia de domínio" no interior da comunidade, da sociedade, ou da Nação, pois esta tenderá a controlar a repartição da totalidade dos recursos (bens e serviços).
Os factores culturais envolventes deverão constituir a linha de conduta que a acção filosófica tem por obrigação impor à teorização política.

2. Teorização Política

Como demonstrou o fundador da antropología política, Pierre Clastres (1934-1977), em "La société contre l'État" (1974), a ligação entre "Política" e "Estado" não é tão evidente como habitualmente se crê, pois existem formas de organização que evitam a aglomeração do "poder" no Estado, competindo à "teoria política" desenvolver a formatação do Estado, com base numa fundamentação cultural estruturada pelos conceitos filosóficos assentes nos valores primevos dos individuos que constituem a Nação.

Parece-nos provada a necessidade de constituir um "corpus philosophicus" fundacional da "teorização política", antes de "desenhar soluções de pormenor" ou, pior ainda, copiar dos alfarrábios soluções "read-made" !

Provindo o termo do grego "theorein", "teoria" significa "contemplar, observar, examinar", e "teoria política" é, como qualquer outra teoria, um quadro de trabalho para compreensão de uma proposta.
Em linguagem corrente, uma teoria é um conjunto de conceitos, fundamentados em teorias precursoras ou em casos reais, conducentes a um resultado especulativo, a uma representação ideal.

Desde a lógica das matemática, diz-nos o primeiro teorema de Kurt Gödel (1931), que (numa teoria) existem enunciados que não são demonstráveis e cuja negação tão pouco é demonstrável !
Se assim é numa ciência exacta como as matemática… na política arriscamos navegar na mais pura virtualidade !
E para que essa virtualidade não se transforme em enunciado dogmático, devemos ter recurso à "fundamentação cultural estruturada pelos conceitos filosóficos".

Se nos fixarmos nas propostas políticas ditas nacionalistas encontraremos a nivel da teorização política "um pouco de quase tudo" !
Desde o fascismo, ao nacional-socialismo, ao nacional-bolchevismo, ao salazarismo (católico-corporativista), ao franquismo (falangista), ao europeismo (nas mais diversas tonalidades), ao monarquismo lusitanista (integralismo), e um longo etc, todos se dizem nacionalistas e afirmam o seu desejo de uma solução política "nacionalista" !

Como Blaise Pascal, façamos um pouco de "ucronia" (3).
Se toda a vontade nacionalista antes referida, chegasse a uma vitória política e, consequentemente ao "controlo do Estado", quantas horas tardariam a lançar-se (mutuamente) à cabeça, as cadeiras do "poder" ?
Como poderia um nacionalismo monárquico aceitar uma solução republicana ? E o nacional-bolchevismo colaborar com os fascistas ?

Perante o que nos demonstra a realidade, as variáveis são tantas (incluindo os "infiltrados" e os "inocentes"), tantas as teorizações políticas, que o "poder teo-democrático" em funções pode "ressonar sem sobresaltos" !

Parece-me óbvio que sem uma "fundamentação cultural" consequente as divagações prosseguirão, cada hipótese continuará a afirmar-se como sendo a mais acertada e, todas (ou quase) continuarão a considerar o "nacionalismo" como uma teoria política mais.

Não, não sou pessimista, mas tão pouco sou optimista ! Esses sentimentos não se coadunam com a análise responsável de um projecto politico.

Temos necessidade de nos elevarmos por em cima da fragmentação teórica do saber político que envolve o nacionalismo.
A filosofia não teoriza a política, mas fundamenta os conceitos necessários à sua expressão, e creio ser já tempo de enquadrar a teoria política nacionalista com o conceito adequado !

Uma das primeiras cacafonias teorizadoras com que deparamos nas páginas "web" e nos "fórum", assumidamente nacionalistas, assim como numa variada literatura existente, é a confusão entre o significado atribuido a certos vocábulos e a sua real significação. Dois dos mais sintomáticos exemplos são, "nação - pátria" e "povo - população".
Confundindo "povo" com "população", dilui-se a noção de etnicidade, uma estrutura fundacional do nacionalismo… Amalgamando "nação" com "pátria", abandonamos decididamente o campo nacionalista pelo patriótico, a visão de futuro pela simbologia do passado !
Nada mais que esclarecer os exemplos apontados e teriamos uma importante redução nos candidatos a nacionalistas.

Outro aspecto, nem o último nem o menos importante, é o enfeudamento a soluções "prontas-a-utilizar", o recurso a teorias aplicadas em periodos históricos recentes e que ainda brilham no imaginário politico de muitos.
Não nego o interesse em conhecer essas experiências, que podem, na devida perspectiva histórica, enriquecer conceitos ou complementar teorizações, mas saibamos distinguir o antigo do velho, o texto lúcido e pertinente da retórica fora de circunstância.

3. Europa e Nacionalismo

Existem posicionamentos que advogam por "pensar Europa já e agora", e outros mais críticos relativamente à oportunidade de optar desde já pela Europa. De entre os primeiros, distinguimos os que creem que uma Nação é algo de perene e que á dado adquirido como parte constituinte da Europa, e outros, bem intencionados, mas que se comportam como borboletas nocturnas encandeadas pelo "farol europeista" !
Desde uma perspectiva analítica também é por demais evidente a actividade de alguns émulos de Fausto que, com propósitos inconfessáveis, exaltam uma Europa alquímica, saida de alguma retorta do Grande Arquitecto, com o evidente objectivo de transmutar a Nação em poltronas de eurodeputado.

Quando Drieu de la Rochelle defendia uma solução europeia, essa solução passava por uma França (culturalmente dominante) aliada a uma pujante Alemanha nacional-socialista, referindo uma Europa conceptualmente fundamentada em valores étnicos e culturais que hoje somente encontramos nas hemerotecas.

Sejamos conscientes de que o denominador comum que têm, na actualidade, os povos de regiões como a Wallonie belga, o Vaud suiço ou o Vale do Ave português, é a sua acelerada perda de identidade ! A rotura drástica e dramática com os laços culturais que os uniam ao seu território. Na Europa de hoje, como na Europa que alguns (consciente ou inconscientemente) pretendem, as Nações desvanecem-se !

Que Europa se pretende ? Uma Europa sem Nações ?
Uma "pátria europeia" habitada por uma população multi-étnica e culturalmente "miscigenada" ?
A Europa financeira dos bancos e das empresas, dos negócios, da usura e dos lucros ?
Não será isso embrulhar o nacionalismo em reluzente papel e oferta-lo a quem pagar mais subsídios ?

Como já o escrevi repetidamente, e em nada altero o afirmado, estou intimamente convencido de que devemos lutar por uma Europa forte, mas, e sem lugar a dúvidas ou tergiversação, étnica e culturalmente coesa.

Que a árvore não nos esconda a floresta ! Se primeiramente não nos constituirmos em Nações autónomas de qualquer poder central e centralizador, em Nações representativas de uma realidade cultural, falar em nacionalismo é uma falácia !
Europa não é, nunca foi uma Nação, mas um conjunto de Nações étnicamente próximas (antes da invasão migratória) e culturalmente compreensíveis.
Pretender, como Lenine, uma Europa de Repúblicas Socialistas, ou uma espécie de Império "envergonhado de o ser", como propõe Jean Thiriart, ou um negócio financeiro montado numa manipulação cultural, estilo União Europeia, ou uma Europa do arquipélago das Curilhas ao dos Açores, e de Instambul a Rabat, não é, seguramente, respeitar as tradições, as "agraphoi nomoi" que são o bastião da nossa cultura !
Provavelmente, os que defendem essas "soluções", pensem (por manifesta ignorância e manipulação) que Carlos Magno foi um grande protector da cultura europeia, tal como tinha sido o Império de Roma ou a evangelização cristã...
E aí não nos encontram ! Porque é um engano, uma burla política, uma falácia…

O projecto da "Nova Ordem Mundial" é criar grandes blocos económicos sem conteúdo cultural !
Nesse sentido se vão formatando a União Europeia, a Mercosul, a Asean e a União Africana.
Posteriormente, será fácil tudo amalgamar num mercado global, num Estado global… dirigido por um governo Mundial !

A afirmação nacionalista é um conceito identitário, não é uma teorização política, nem se engloba no ardil das direitas ou das esquerdas.
E a nossa afirmação nacionalista, com respeito por todas as outras que se manifestem no território europeu, relaciona-se com a defesa da "nossa Cultura", do "nosso Povo" e, consequentemente da "nossa Nação" !
A partir desta base, poderemos participar na compreensão de uma Europa Identitária ! Não num "mercado comum" !

4. Fundamento Conceptual do Nacionalismo

Insistimos em que o trabalho inicial dos nacionalistas é determinar o fundamento conceptual do nacionalismo que provém de nós mesmo, como povo.
Várias áreas devem ser estudadas para que, a partir de conceitos claros e esclarecidos, se possa desenvolver uma "teorização política", uma proposta de organização que nos enquadre como fenómeno nacionalista e nos permita transparecer como Nação.

A História deve ser interpretada como instrumento de aprendizagem que os nossos ancestros nos deixaram, não como um acumular de lendas, de glosas míticas, de milagres fundacionais ou de acasos proféticos.
Uma Nação não nasce por decreto nem por bula papal ! Uma Nação é "um todo coeso", um laço cultural expresso por um povo num contexto territorial.

Que referência cultural se pode deduzir quando se divaga entre as mais variadas concepções de ética, de estética e de religiosidade ?
A que Nação se reporta quem devaneia entre conceitos de "território como parte da Nação" e "território como constituinte de um país" ?
Como seria interessante que, quem se pretende nacionalista, tivesse a consciência de que denominar uma "população" como "povo" não passa de uma afirmação manipulada (ou manipuladora), mas que não altera uma virgula à realidade, à distinção étnica e etológica existente sobre o terreno !

Que pretendemos ?
Fundamentar o conceito "nacionalista" e tentar viver nele e com ele, numa simbiose conseguida, ou continuar a discutir virtualidades, como se estivessemos a dialogar com o coelho de Alice no outro lado do espelho ?

Nacionalismo é a defesa de uma identidade nacional, é um conceito étnico-cultural que pretendemos se expresse através de uma "teoria política" que devemos formular, adequando a sua formatação à realidade que somos e ao futuro que pretendemos.
É a partir da Nação que deveremos pensar a Europa. Não o contrário !

Tenhamos sempre presente as palavras que proferiu, na defesa do "seu" globalismo, o barão Edmond Rothschild à revista "Entreprise", em 18 de Julho de 1970, sobre a constituição do Mercado Comum Europeu, fase que precedeu a actual União Europeia :
"… (como condição) a estrutura que deve desaparecer, o ferrolho que deve saltar, é a nação" ! (4)

Cremos firmemente que, para um futuro consequente, o trabalho dos nacionalistas (em cada Nação) deveria percorrer três etapas fundacionais (eventualmente subdivididas) :
1. Significação Conceptual
- conceitos filosóficos
2. Teorização Política
- estrutura do Estado
3. Organização e Actuação
- prospectiva

Com um razoável consenso nestas premissas, as nações europeias poderão "formatar" uma Europa Identitária !
Senão, o nacionalismo continuará a ser, para uns, um exercício intelectual, para outros, um passatempo e, para alguns… uma actividade (consciente ou não) para que "o ferrolho" se desvaneça de vez !

Despertemos a cultura imanente em cada Nação, interliguemos os conceitos e avancemos no caminho da Europa Identitária…
Como diz o poeta : "… o caminho faz-se andando !".
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(1) Na Antiguidade, o sinoecismo (do grego "sunoikismós", dérivado de "sún", com, e "oikos", casa, ou seja "conjunto de casas") é o acto fundador de uma cidade. Uma reunião de várias aldeias formavam uma vila… uma cidade…

(2) A primeira lembrança que nos vem à memória refere-se ao famoso passo da tragédia de Sófocles, Antígona (450-59), onde desafiando as determinações de Creonte, rei de Tebas, Antígona presta honras fúnebres a Polinices, seu irmão, morto em combate com o seu também irmão, Eteocles.
A jovem princesa justifica seu acto alegando obediência às normas divinas, eternas e intocáveis, superiores, como valor imperativo, à proclamação do rei.

(3) "Ucronia" - História alternativa de um evento particular modificado, imaginado, através do qual o autor estabelece conclusões hipotéticas.
"Se o nariz de Cleópatra tivesse sido mais pequeno, a face da terra teria mudado" (Blaise Pascal in "Pensées", 90).

(4) Sejamos conscientes do enfrentamento entre o nacionalismo, que é garante da identidade de cada povo, e a miscigenação mundialista expressa pelo sistema, aparentemente contraditório, liberal-marxista, cujo objectivo é o total desenraizamento cultural dos povos e a criação de um governo mundial.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Cultura é Poder !







Causalidade, Necessidade e Cultura


"Tudo o que existe no Universo é fruto do "acaso" e da "necessidade"
Demócrito de Abdera (460-370 EP)

O desenvolvimento cultural das comunidades humanas é consequência da capacidade intelectual do Homem, da manifestação livre do seu saber e do seu conhecimento, desenvolvimento esse permanentemente contrariado por principios dogmáticos estruturados como doutrinas, religiosas ou políticas, por teorias fundamentalistas de grupos laicos e sacerdotais interessados na manutenção de um "status-quo" capaz de manter os privilégios de que disfrutam, encerrando o desenvolvimento cultural e pretendendo transforma-lo em pseudo-dialécticas que, no abandono consciente das suas estruturas tradicionais e fundacionais, conduz inapelavelmente à sua regressão.
A falácia do igualitarismo, da divindade soterológica ou da finalidade hedonista da existência, conduz ao bloqueamento cultural e, consequentemente, ao desmoronar dos valores éticos que alicerçam a comunidade afectada que, gradualmente, vai inflectindo no sentido da superstição e da existência segundo um modelo acultural que lhe garante a sobrevivência.

Pela sua própria idiossincracia, o efeito dogmático bloqueia todo e qualquer diálogo com a expressão cultural vivente no seio das comunidades, e que formata o seu processo intelectual de compreender os laços que a constituem e o meio em que evolui.
A esse bloqueio, os gregos denominavam "aporia" (1), ou seja, o que consideravam não ter solução, ou o que criava "perplexidade", "embaraço" ou "incerteza", e quando aplicado a um debate, traduzia o reconhecimento por parte de todos os interlocutores da impossibilidade de definir uma noção, a "inexistencia de ligação entre argumentos", um "impasse de raciocinio".
Mais particularmente, Aristóteles designava como "aporia" um conjunto de afirmações separadamente plausíveis, mas falsas se consideradas em conjunto, considerando que a reconciliação de tais proposições, perante soluções alternativas, eram um trabalho de máxima importância para os filósofos.

Perante semelhante enfrentamento entre o dogma paralisante, e portanto culturalmente regressivo, e a estrutura cultural "tradicional" (2), surge a questão sobre se existe um objectivo na existência do ser-humano, algum processo "teleológico" (3) da vida, e se quando consideramos estar, "a priori", perante uma "aporia", na realidade estamos na presença de um embaraço, de um desafio à nossa capacidade de "animal racional" ("zoon logikon") que nos impõe atravessar o "Rubicão", e instalalarmo-nos num processo de desenvolvimento intelectual, ou ficar passivos na crença em mistificações simplistas de divindades etéreas criadas à imagem da nossa ignorância e da nossa curiosidade.

A "teleologia" pressupõe uma espontaneidade no ser vivo, uma energia vital que poderiamos aproximar da "entelequia" (4), termo com que Aristóteles pretendeu designar a "energia da vida", "algo que tende por si mesmo a atingir o seu próprio fim".
Com efeito, a evolução biológica aparece como uma fase de um processo evolutivo composto de três fases diferenciadas, embora interligadas num mesmo processo geral, que para uns se subdivide em "fase inorgânica ou pré-biológica", "orgânica ou biológica" e "humana ou pós-biológica", e para outros, em "protoplasma", "célula" e "animal", como niveis em que se manifestam os graus de integração e organisação dos seres vivos.

Se há ou não um "propósito" nesta evolução, é assunto discutível, embora presentemente não se admita uma teleología no conjunto do processo evolutivo, mas sim processos parciais teleonómicos, isto é, processos que possuem uma "direcção própria".

Os "epistemólogos" (5) ocuparam-se da explicação dos processos evolutivos, concretamente na evolução biológica e concluiram que a explicação evolutiva não é, nem pode ser, uma explicação de natureza dedutiva, mas que pode haver explicações dos processos evolutivos através de leis demonstrativas de como, de um grupo de condições iniciais, se desenvolve (ou "se desenvolveu") um determinado processo, que produz certas outras condições, regidas por leis próprias.
(consulte-se Ernest Nagel, filósofo, epistemólogo - 1901/1985).

Os sistemas vivos seriam teleológicos, relacionando-se com o "cenário" em que vivem, através de um sistema de informação que o naturalista alemão Jakob von Uexkull denominou de "Umwelt", que significa algo como "o-mundo-que-nos-rodeia".
A teleologia seria pois, uma perfeita afirmação da entropia, ou seja, um encaminhamento permanente da ordem à desordem para construir outra ordem.
Nas transformações de energia, "entropia" é a tendência para um estado de desordem molecular no qual a energia deixa de ser utilizável como trabalho.
O segundo principio da termodinâmica, estabelecido por Carnot e Clausius, enuncia esta tendência à degradação da energia, enquanto o primeiro principio afirma a conservação da quantidade, mas através da transformação da qualidade, que se degrada dispersando-se em calor não utilizável.
Este conceito estendido da física, à biologia, à economia e à sociología, tomou nesta última o sentido geral de tendência à desorganisação e à desestruturação.

Aristóteles, na "Ética a Nicómaco", desenvolve o principio da causalidade para evidenciar uma finalidade subjacente à finalidade das coisas.
Esta finalidade contida no "Ser" e que o leva a "devir o que ele é", é denominada "telos" por Aristóteles, e daí provém a "teleologia", um conceito filosófico que diz haver um principio director, uma finalidade que actua na natureza e que a faz realizar o que ela é.
Aristóteles faz notar a extraordinária universalidade deste principio, do qual nada parece afastar-se, como se uma "mão invisível" orientasse o processo. Tenhamos presente que jamais o "Estagirita" atribuiu a essa "mão" uma qualquer noção de divindade !

Na actualidade, uma aproximação sistémica da teleologia e da teleonomia apresenta-as como noções que se relacionam com o objectivo a atingir, com a finalidade, que pode ser declarada (como intenção expressa) ou interpretada a partir da observação dos comportamentos que parece tenderem para um objectivo atribuido pelo observador.

Compreendamos que se algum processo teleonómico nos coloca perante a decisão de sermos servos hedonistas existindo em sociedades controladas por oligarquias anónimas, ou homens livres vivendo em comunidades por nós dirigidas, a opção é nossa, reside na nossa capacidade de ser rebelde, de construir a alternativa cultural que nos permita continuar a viver como rebeldes, e não como servos de oligarquias ou de divindades.

Biologicamente, o "acaso", o fortuito, cria situações que podem ser inócuas e desprezadas, ou aproveitáveis e que a "necessidade" impõe ; sociologicamente, compete-nos a nós determinar a "necessidade".
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(1) Do gr. "a", que priva ou nega, e "poros", passagem, solução.
Certos diálogos de Platon chocam com a "aporia", como no "Eutifron" ("Euthyphron") quando procura uma definição para o que é piedade.
O termo surge mais tarde na Europa, e.g., na "Grammaire genérale" de N. Beauzée, em 1767, para descrever uma figura de retórica relacionada com a "dúvida intransponível" e, no século XIX, continua a ser definido como processo de retórica pelo dicionário Littré, e no século XX, o termo "aporia" é bastante utilizado no discurso filosófico para significar os problemas insolúveis a que conduzem os raciocinios de certos filósofos.
O denominado "teatro do absurdo" coloca em cena situações que poderiam ser consideradas de "aporia", como no caso de Samuel Beckett (1906-1989) cujo personagem, no seu isolamento, acaba por se isolar de si mesmo e dos outros e não vê o seu destino que no silêncio ou na morte (in "En attendant Godot" - 1953), enquanto o dicionário Robert, a partir de 1970, regista o vocábulo como : "(…) dificuldade de ordem racional aparentemente sem solução".

(2) Tradição não é sinónimo de estagnação ou de saudosismo, mas sim de evolução de estruturas fundacionais.
Entendemos por "saudosismo" um patológico desejo do passado, diferentemente do sentimento de "saudade", absolutamente respeitável, pois só sente "saudade" quem tem memória.

(3) Mencionamos "processo teleológico da vida" referenciando "teleológico" como adjectivo que provém de "teleologia" (do gr. "télos", finalidade + "logos", conhecimento), vocábulo proposto por Ernest Mayr (1905-2005) em 1974, significando "doutrina que considera terem todos os seres uma finalidade" e concebendo o mundo como um sistema de relações entre meios e fins, opondo-se a uma visão mecanicista.

(4) Vocábulo criado por Aristóteles para designar a tendência natural de qualquer "sistema" a procurar realizar-se plenamente, a atingir o limite das suas potencialidades.
"Entelequia", do antigo lat. "entelechia", proveniente do gr. "entelecheia" ("en", em + "telos" finalidade e "echein", ter), "ter ou ser uma finalidade". Para alguns, está próximo do termo gr. "energeia" ("energia"). "Força vital". "Vitalismo" (Ortega y Gasset).

(5) Do gr. "épistémê", conhecimento, e "logos", razão, discurso.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Compreender o Nacionalismo

Cultura é Poder !

Dentro da "falácia maior" que constitui a denominada "democracia", giram como átomos tontos os constituintes de uma "falácia menor", dois termos de significado politicamente variável : "direita" e "esquerda" !

No mundo real dos sentidos, todo e qualquer objecto está situado à esquerda de ... e à direita de ... . É a circunstância do existir, do estar !
Porém, na galáxia virtual da política, o sentido das coisas é outro, e a sua variabilidade, inconstância e oportunismo são um dado adquirido.

Foram os politicos da Assembleia Francesa, nos tempestuosos tempos que precederam uma das maiores barbaridades (no conceito e nos factos) da História desta sofredora Europa, que optaram por designar como "direita" quem nessa Assembleia se sentava à direita do rei, e como "esquerda" quem se sentava à sua esquerda. "Elemental, my dear Watson", diria Sherlock Holmes !

À esquerda, eles, os "bons", os justos e salvadores ; à direita os adversários (inimigos) dos "bons" !
A partir de aí, os jacobinos, todos os jacobinos, do anarquismo bombástico ao bolchevismo marxista, passando por movimentos revolucionários e seus sucedáneos… tudo é esquerda. Esquerda, por paradigma, soterológica, progressista e messiânica.
Quanto à direita, toda a restante panóplia política, é lançada para o caldeiro comum, para um imenso refogado apelidado de "reacção" e, mais tarde, demonizada como "fascista", o que é considerado, pelos jacobinos, o insulto por excelência ! Todo e tudo considerado como contrário ao catecismo jacobino… é fascista. Simples e eficaz em termos propagandísticos… e também demonstrativo do grau de indigência intelectual das "massas" concordantes !

Referimo-nos à "revolução francesa", anunciadamente libertadora e cripto-maçónica, que dizem de 1789, mas que somente atingiu a "velocidade de cruzeiro" a partir de 25 de Abril de 1792 quando, pelo menos oficialmente, vai funcionar pela primeira vez uma "máquina de amputar cabeças" concebida pelos drs Joseph Guillotin e Antoine Louis.
O mecanismo, o maior sucesso tecnológico da época, foi inicialmente denominado como 'Louison" ou "Louisette", mas rapidamente adquiriu o nome de "guillotine", apesar de que o povo conhecia a máquina por "la veuve" ("a viúva").

Curiosamente, e sem qualquer relacionamento, os franco-maçãos dizem-se "Filhos da Viúva" ("Enfants de la Veuve"), pois identificam-se com o personagem bíblico Hiram (ou Hyram), mestre arquitecto do mitológico Templo de Salomão e filho de uma viúva da tribo israelita de Nephtali de Tyr (Sor).

Mas, regressando à "revolução francesa" e aos seus exímios cortadores de cabeças, talvez por "hábito compulsivo", a verdade é que o próprio Maximilien de Robespierre, um iluminado por excelência, também conheceu no seu revolucionário pescoço o aço frio da "guilhotina".
Ele, um ex-montanhês (partido dos "montagnard") passado aos jacobinos e "chefe omnipotente" do periodo conhecido como "Terror", foi como tantos outros revolucionários, fagocitado pela "sua" revolução !
"Não se fazem omeletas sem partir ovos", soía dizer o senhor Maximilien. E demonstrou-o !

Durante o "Terror", de Setembro de 1793 a Julho de 1794, cerca de 50 guilhotinas funcionaram por toda a França e aproximadamente 20 000 pessoas foram executadas.
Obviamente, tão democrático invento foi igualmente experimentado no seu inventor, o piedoso dr Guillotin !

Mas, o messianismo da "esquerda" não se deixa impressionar por tão insignificantes acontecimentos e, no século seguinte, aí tinhamos resplandecente e excelso um tal Karl Heinrich Mordechai Marx, neto e bisneto de rabinos, a quem a familia Rothschild (judeus Khazar) convidou a Londres para, acompanhado pelo seu alter-ego Engels, escrever uma espécie de estatutos de um agrupamento maçónico denominado "Liga dos Justos" (ou "Liga dos Comunistas").
Marx e, evidentemente, Engels lá se dedicaram à obra, baseando-se num texto de um grande amigo da familia Rothschild, o senhor Adam Weishaupt, ex-jesuita, fundador em 1 de Maio de 1776 da famosa seita dos "Iluminados da Baviera" ("Die Illuminaten in Bayern"), cuja finalidade declarada era establecer um "Novus Ordo Saeclorum", uma Nova Ordem Mundial (governo mundial).
O texto final, com adaptações circunstanciais, acaba por ser publicado, e largamento publicitado (ter banqueiros no seu circulo de amigos sempre ajuda…) em 1848 sob a denominação de “Manifesto Comunista” (mais tarde "Manifesto do Partido Comunista"), difundido anonimamente e em edições posteriores com os nomes dos dois redactores.

Abrimos aquí um parêntesis para esclarecer três pontos :
1.
A “Liga dos Justos”, a que em Londres se afiliaram Marx e Engels, estava relacionada com os "Iluminados da Baviera", que em 16 de Julho de 1782 tinha assinado o "Pacto de Wilhelmsbad", o qual associava as "lojas" maçónicas da época.
2.
O famoso apelo, "Proletários de todos os países, uni-vos", havia sido adoptado pela "Liga dos Comunistas" vários meses antes da publicação do "Manifesto".
3.
A "Liga Comunista", fundamentada num humanismo maçónico muito em voga na época, foi fundada por trabalhadores alemães em Paris em 1836, e seguia uma utopia do tipo socialismo-cristão segundo a teoria comunista de François-Noël "Gracchus" Babeuf (1760-1797).

Assim que, numa aproximação abrangente, a "esquerda" jacobina fez-se comunista, humanista e maçónica, assumindo-se, posteriormente, como marxista, ou seja, proletariamente messiânica.
Uma soterologia que se pretendia "libertadora", não pela transformação do "trabalho" ("tripolium") - tarefa de produção com finalidade lucrativa - em "labor" - tarefa necessária à satisfação da comunidade - , mas pela alteração da redestribuição do "lucro" ("plus-value") produzido na realização nas citadas tarefas produtivas com objectivo mercantil.
Se no capitalismo liberal de Adam Smith a acumulação da riqueza se concentrava nas mãos de individuos e de instituições usurárias privadas (bancos), no capitalismo marxista a riqueza seria acumulada por organizações de Estado do tipo "Gosbank" (banco governamental soviético) e pelos "aparatchiks" (funcionários políticos).
Tenhamos presente que a organização de actividades com finalidade lucrativa (a substituição da economia pela crematística) é um conluio entre "esquerdas - direitas", uma armadilha marxista-liberal para transformar o "homem livre" em "servo voluntário" !

Como constatamos, se "esquerda" nos aparece minimamente auto-definida através do seu projecto redutoramente dirigido à produção de bens e à sua negociação a favor de um Estado omnipresente, a denominada "direita" é… o que resta em termos de acção política, mas igualmente determinada em utilizar o individuo como factor de enriquecimento de oligarquias.

A social-democracia, uma das máscaras da esquerda socialista, designada pelo bolchevique Lenine como "ante-câmara do comunismo", é colocada nas prateleiras da "direita", entre a "democracia cristã" e o "populismo liberal". Um problema de etiquetagem, mais que uma diferenciação de objectivos !

A rapaziada que escrevinha, ou palra, nos meios de propaganda do Sistema, confunde na mesma denominação "de direita", tanto o partido israelita "Likud" (judaísmo fundamentalista) como o alemão "NSDAP" ("Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei") o que, além de amálgama politico, é demonstrativo de uma categórica imbecilidade !

Digamos que, o "esquerda - direita" é mais um produto de arremesso dos jacobinos, socializantes e marxizantes, destinado a confundir quem não aceita a sua cartilha e a vulgarizar (no sentido pejurativo) qualquer opção diferenciada.

O nacionalismo é tradicionalista (tradição é cultura), e não participa, não aceita, recusa, essa taxonomia política de "esquerdas e direitas" por redutora, falaciosa, capciosa e provocadora.
É, para nós, tão incoerente a companhia política dos marxistas como dos liberais, aliás bem próximos na "sopa de pedra" que consitui o "politicamente correcto".

Somos conscientes de que as "esquerdas - direitas", clientela assumida do ardiloso sistema politico denominado "democracia", se auto-apelidam diversamente para aparenter soluções diferenciadas (democracia-cristã, social-democracia, socialismo, comunismo …), enquanto na realidade servem os interesses de uma mesma oligarquia obsequiosa com o poder financeiro internacional, decidido a transformar a Europa num pântano de miscigenação onde possam chafurdar impunemente a usura e o lucro fácil do negócio obsceno, objectivo fundacional dos mercaderes que são.

Europa, converteu-se num pátio de "inocentes crédulos" que, paradoxalmente, creem em qualquer coisa, desde o iminente desastre climático à "aliança de civilizações", passando pelo temor a uma "al-Qaeda" demoniacamente dirigida desde uma gruta no Afeganistão !

O "politicamente correcto" gerou uma cultura hedonista do "aquí e agora" e apagou da mente colectiva dos europeus conceitos como o sacrificio pessoal, a responsabilidade por acções políticas e o respeito à familia e à procriação.
A Europa morre de velhice… e de medo !

Os nacionalistas somos desqualificados pelo Sistema que nos demoniza, pretendendo colar-nos um rabo pontiagudo, colocar-nos um tridente nas mãos e fazer crer que cheiramos a enxofre !
Afirmam que o nosso destino são as chamas do inferno. Torquemada não diria melhor !

Na verdade, somos "uns realistas com principios e tradições" e nunca conseguirão fazer de nós medrosos perante a "burka" ou o "turbante", nem nos transformarão em plateia néscia perante a corrupção ou o "orgulho gay".

Consideramos dever preservar, incluso expandir, os principios que garantem a dignidade da pessoa, a libertade do individuo e a sua ânsia em melhorar e prosperar, a sua responsabilidade social e política, a sua obrigação em comportar-se éticamente.

Os celtas gauleses somente temiam que o céu lhes caísse sobre a cabeça ; nós só temos a temer a nossa "debilidade fundacional".
Afastar esse "propósito de fraqueza" deverá ser o nosso combate primordial.

É imprescindível compreender que uma Nação não surge de um desejo, mas sim de uma realidade, e a nossa realidade nacionalista fundamenta-se numa cultura, como projecção étnica assente num território.

Uma Europa forte, coesa e consciente da sua cultura como paradigma, deverá ser o nosso objectivo, mas comecemos por construir essa Europa desde a familia, desde a comunidade, desde a região, desde as particularidades culturais que determinam a nossa tradição e que por ela se significam.

Que a árvore não nos esconda o bosque, que não se pretenda partir da idealização de uma Nação que não corresponde à realidade, pois essa via nunca nos levará a uma Europa dos povos, mas sim a mais uma oligarquia que pretenderá interpretar uma realidade… através do espelho deformante do desejo assumido como realidade.
Não acumulemos mais erros históricos, e não concebamos uma Nova Europa que vai surgir porque assim o desejamos, construida sobre hipóteses e quimeras, nascendo da escuma como Vénus, e ao som da música das esferas.

Uma Nova Europa nascerá das nações que a constituem, e cada Nação é uma realidade própria gerada por uma afirmação étnica-cultural ; definindo étnico como um sentimento de ascendência comum através da lingua, dos costumes e da História, e significando cultura como conjunto de tradições e sua projecção na vivência quotidiana, não caindo na falácia de confundir povo com população e Nação com País.
Nacionalismo não consiste em alterar o nome às coisas e manter a estrutura da actual sociedade.
Nacionalismo não é restauro, é Renascimento !
É uma nova forma de estar e de ser.

O Sol dá-nos "a claridade do dia" (diew), cuidemos que não nos cegue !
Cultura é Poder !